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Mercado

O mercado de São Paulo está esfriando? O que o volume de ITBI revela em 2026

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Imomó Intelligence

Equipe de Data Science

O mercado de São Paulo está esfriando? O que o volume de ITBI revela em 2026

Existe uma diferença fundamental entre o que o mercado imobiliário diz e o que o mercado imobiliário faz.

O que ele diz aparece nos portais de anúncios: preços pedidos, expectativas, otimismo. O que ele faz aparece no ITBI — o imposto pago no momento em que uma escritura muda de mãos. Não há como inflar um registro de ITBI. Ele só existe quando alguém realmente comprou.

Por isso, quando queremos saber a temperatura real do mercado paulistano, não olhamos para anúncios. Olhamos para o volume de transações registradas.

E o que os dados de 2026 mostram merece atenção.

O dado que importa: volume, não preço

A maioria das análises de mercado começa (e termina) no preço do m². É uma métrica lenta e enganosa. Preço é a última coisa a se mover em um ciclo imobiliário, porque vendedores resistem a baixar valores — eles simplesmente tiram o imóvel do mercado e esperam.

O volume se move primeiro. Quando compradores hesitam, o número de negócios cai muito antes de qualquer preço ceder.

Aqui está o volume mensal de transações em São Paulo, com a variação em relação ao mesmo mês do ano anterior (YoY):

MêsTransaçõesVariação YoY
Set/20258.002+0,1%
Out/20258.710+3,7%
Nov/20257.208-4,8%
Dez/20258.781-6,5%
Jan/20265.763-10,4%
Fev/20266.384-12,7%
Mar/20268.324+17,4%
Abr/20267.429-3,6%
Mai/20267.783-1,6%
Jun/20267.278-3,1%

Oito dos últimos onze meses fecharam no vermelho.

Como ler esses números sem exagerar

É aqui que a maior parte das manchetes erra. Vamos separar sinal de ruído.

Janeiro e fevereiro sempre caem. O primeiro bimestre é estruturalmente fraco no mercado imobiliário brasileiro — férias, carnaval, e o fechamento de negócios empurrado para dezembro. A queda de -10,4% e -12,7% parece dramática, mas parte dela é calendário, não mercado.

Março não foi uma recuperação. O salto de +17,4% em março é o espelho da fraqueza de fevereiro: negócios que não fecharam no bimestre anterior foram registrados depois. Quando dois meses adjacentes têm sinais opostos e magnitudes grandes, quase sempre se trata de deslocamento de registro, não de mudança de comportamento.

O sinal real está no segundo trimestre. Abril (-3,6%), maio (-1,6%) e junho (-3,1%) são os meses mais honestos do conjunto: sem feriados distorcivos, sem efeito-calendário. Três meses seguidos de queda moderada e consistente.

É esse o retrato: não é um colapso, é uma desaceleração. O mercado paulistano está rodando aproximadamente 3% abaixo do ano anterior em volume — uma acomodação, não uma ruptura.

Volume cai, valor resiste

Um detalhe que contradiz a leitura pessimista: o valor financeiro total das transações não caiu na mesma proporção do número de negócios.

Junho de 2026 movimentou R$ 5,53 bilhões em 7.278 transações. Isso significa que, embora estejam acontecendo menos negócios, o ticket médio se manteve firme.

A conclusão é importante para quem está comprando ou vendendo:

Menos gente está transacionando, mas quem transaciona não está pagando menos. O mercado está mais seletivo, não mais barato.

Esse é o padrão clássico de um mercado em acomodação, onde o vendedor ainda tem poder de barganha. Preços caem de verdade apenas quando o volume fica negativo por muitos meses seguidos e os vendedores finalmente cedem. Não chegamos lá.

Explore o Mercado

Veja a evolução de preços e volume por bairro com dados reais de transações.

O que isso significa na prática

Se você está comprando: seu poder de negociação melhorou na margem, mas não espere descontos generalizados. A oportunidade está em imóveis específicos com tempo longo de exposição — não no mercado como um todo. Vale checar o histórico real de transações do prédio antes de fazer uma proposta.

Se você está vendendo: o tempo de venda provavelmente aumentou. Com menos compradores ativos, precificar acima do mercado significa ficar parado. O preço de anúncio do vizinho não é referência; o valor que ele efetivamente recebeu é.

Se você está investindo: desaceleração de volume com preço estável costuma ser o momento de maior assimetria de informação. Quem conhece o dado real de cada micro-região consegue identificar bolsões que se movem contra a média da cidade.

A média da cidade não existe

Vale um alerta final. Todos os números acima são agregados de São Paulo inteira — 329 bairros e mais de 868 mil transações históricas.

Nenhum comprador compra "São Paulo". Compra-se uma rua, um prédio, um andar. E o comportamento entre regiões diverge fortemente: enquanto a cidade desacelerava, bairros específicos registraram crescimento de dois dígitos.

Usar a média da cidade para decidir sobre um imóvel específico é como usar a temperatura média do Brasil para escolher a roupa do dia.

Carregando dados...

Metodologia

Os dados desta análise vêm dos registros de ITBI da Prefeitura de São Paulo, que capturam o valor efetivamente transacionado — não o preço anunciado. Nossa base cobre mais de 868 mil transações. Variações YoY comparam cada mês com o mesmo mês do ano anterior, eliminando o efeito de sazonalidade.

Registros de ITBI podem ter defasagem de algumas semanas entre a transação e o lançamento, e os meses mais recentes tendem a ser revisados levemente para cima conforme novos registros entram na base.

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Consulte o histórico real de transações de qualquer endereço em São Paulo.

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